Dedos entrelaçados

Aninhada em minha cama, com um coque muito mal feito e uma xícara de chocolate quente. Lá eu estava, lendo um texto para a faculdade. Ele chega com um sorriso maroto nos lábios. Fica parado na porta, me olhando. Seus olhos queimando. Ele não diz nada mas parece que ouço sua voz sussurrando e me chamando.

Correspondo ao olhar por cima de meus óculos e volto a atenção para meu livro. Fingindo que ele não existe. Como um animal sorrateiro ele se aproxima e senta-se na borda da cama. Delicadamente (o que não é de seu feitio) ele pega minha mão e a aperta. Suspiro. Estou tentando me concentrar, poxa. Evitando o contato visual, viro de lado. Tomo um gole do chocolate. Sinto meu corpo mais quente do que nunca. Respiro fundo tentando retomar minha concentração.

Não adianta, ele é insistente. Desvio o olhar, entrelaço meus dedos, tentando me conter. Ele entrelaça os dedos nos meus. Sinto meu coração parar por um segundo. Sim, ele está tomando atitude. Não é minha imaginação. Ele me quer, não deixou nenhuma dúvida quanto a isso. Isso me faz sentir segura para saber que podemos dar certo. Dedos entrelaçados. Almas entrelaçadas. Energias intensas estão introduzindo-se em nossas veias.

De repente estou ofegando. Ele me empurra e segura meus braços sobre minha cabeça. Estamos nos olhando fixamente. Sem piscar. Acho que vou desmaiar. "Não vou fazer nada que você não queira." sussurra em meu ouvido. "Sim" murmuro. É a única coisa inteligível que posso dizer naquele momento. Estou completamente frágil, exposta, sem ação.

Ele solta minhas mãos e acaricia minhas bochechas, passando a mão por minhas orelhas e pescoço. Suspiro. Ele segura meu queixo. Passa o polegar nos meus lábios, contornando seu formato e seu recheio. Esfrega o nariz no meu e inspira meu cheiro. Entrelaça os dedos nos meus novamente com uma mão e com a outra me puxa através da cintura para perto de si. "Não me deixe... Não me deixe". Diz ele em tom quente mas ao mesmo tempo de desespero. "Não consigo mais viver sem você. Seu cheiro, sua pele, seu olhar. Seu jeito." Fico surpresa pelo seu senso romântico. Fecho os olhos e me deixo entregar.

Ao abrir os olhos, o vejo em cima de mim, com os braços apoiados nas laterais do meu corpo. O olhar fulminante. Eu preciso me controlar, eu quero, não posso beijá-lo... Não, agora. Não nesse momento... Sinto seus lábios explorando os meus com avidez. Uma Pausa. Ele sorri e esfrega o nariz na minha bochecha esquerda. Volta a me beijar. Me puxa pela nuca. Me agarra pelo cabelo. Sibila coisas que não entendo, estou tão extasiada. Sussurra "Minha... só minha...".

Nossa... são 5 da manhã! Acordo suada. Como pude me deixar sonhar com este homem? Eu não consigo me perdoar. Me encolho na cama e estou com os dedos entrelaçados. Olho atentamente para eles. Agora sozinha. Totalmente sozinha. Ele só existe em meus pensamentos. Mas foi tão prazeroso que é como se estivesse ali comigo, como se existisse. Como se tudo aquilo fosse concreto, palpável. Pego meu Diário e começo a escrever, relatar o que me perturba. Aqueles olhos em mim, aquela voz, aqueles dedos, aquele calor que emanava de seu corpo e que parecia tão real. Sim, ele é meu. Meu pra sempre. Meu em meus sonhos.



Querido, essa eu espero que você leia.

Como é bom poder escrever seminua. Me sinto liberta. E ainda mais nesse calor que ninguém mais aguenta.

Unhas vermelhas e brilhantes, cabelo desgrenhado, exausta. Recém-saída da aula. Eu estava conversando com uma amiga quando, para minha surpresa, ele aparece na parada de ônibus.
'Bom, pelo menos minhas unhas estão bonitas' reclamo para mim sobre o cabelo totalmente desregrado. Dispenso minha amiga na mesma hora e vou atrás dele. Eu Sorrio. Ele é o único que me faz sorrir desse jeito. Digo sutilmente algumas coisas profundas (talvez ele nem tenha percebido ou o tom de voz dele tenha dito algo que eu não consegui entender?) e conversamos também coisas triviais para passar o tempo enquanto não chegava o ônibus. A presença dele me deixava desconfortável. Eu estava muito ávida. Se eu pudesse iria torná-lo meu ali mesmo. Só que a timidez sempre toma conta de mim e eu costumo desviar o olhar para não me perder nos meus próprios pensamentos, ele tem o poder de ativar minha imaginação.

Antes de subir no ônibus ele me dá tchau e nos degraus me tasca um beijo. Fico gelada. Na hora só consigo ficar chateada que não vamos no mesmo ônibus. Mas uns minutos depois consigo processar o que aconteceu e começo a passar os dedos em meus lábios, mordendo, lambendo e chupando meu próprio lábio, sentindo o gosto de sua boca. 'Ahhh não... Eu Quero mais!!!' penso comigo mesma. Ahhh... aqueles lábios carnudos me beijaram. E mesmo que tenha sido por apenas um segundo, eu ainda consigo sentir o gosto de sua boca na minha. Isso me deixou louca.

Fiquei pensando em mais. Muito mais... eu queria mais. Ele não devia ter ativado isso em mim. Mas um pensamento inoportuno, que tenha sido sem querer, invade minha mente. E fico triste ao pensar que não tenha sido de propósito.

Decido deixar pra lá. Porém uns minutos depois recebo uma mensagem sua "Vem aqui em casa hoje. Estou sozinho". Fico boquiaberta. Esfrego os olhos para ver se não estou enganada. E neste instante lembro que ele dissera o endereço de sua casa enquanto conversávamos na parada do ônibus. Será que ele estava me convidando e eu, muito avoada como sempre, não percebi?. Como ele havia dito o endereço de sua casa e até quantas quadras eram, eu decidi ir até lá. Forte e corajosa. Sem saber o que iria acontecer. Não tinha nada programado. Só o coração na boca e a vontade de não perdê-lo nunca mais.

No caminho para a casa dele, eu penso em desistir. Em fugir. Mas como vou fugir se foi ele mesmo que me ensinou a enfrentar as coisas? Penso nisso e continuo a caminhada. Muito tímida e desengonçada como sempre (queria ter mais estilo, mais classe, mais postura). De mansinho aperto a campainha. Sou surpreendida por três cachorros. Pequenos mas que latem muito. Mal fecho a porta, largo a bolsa e corro para seus braços. Sem pensar. Agarro com força e dou-lhe um beijo naqueles lábios deliciosos que me provocaram mais cedo. Paramos. Recuperamos o fôlego. Seus olhos queimando em mim. O atiro no sofá e muito ávida começo a possuí-lo. Beijo, mordo, lambo, chupo. Com toda vontade e intensidade do mundo. Enquanto faço carinhos na sua orelha e a exploro, ele passa a mão pela minha coxa macia. Ele elogia minha pele "Parece porcelana e é muito macia.". Paro um instante, enrubesço e agradeço. Pego suas mãos extremamente macias e as levo a meu rosto e, posteriormente, a meus lábios. Como é bom sentir seu gosto, seu cheiro, sua voz. Ouço seu sorriso enquanto estou de olhos fechados, concentrada no que estou fazendo.

Após nos amarmos sem amarras. O que parecia uma eternidade chegou ao fim. Como eu poderia esquecê-lo? Ainda mais depois de tudo isso. Eu balanço a cabeça com a esperança de mudar de assunto para minha própria mente. Mas não adianta. Ele me provocou. Me chamou para ir na casa dele. Ele não vale nada por causa disso, e eu também!

Fico pensando o que será minha vida depois disso. Já que não vou mais vê-lo. E quando mando mensagens pelo celular, ele parece distante. Fisicamente (já que mudou de cidade) e emocionalmente. Eu queria tê-lo perto de mim. Minha gana só havia aumentado desde então. Mas ao mesmo tempo não achava certo. Nem um pouco.


Querido, essa eu espero que você leia. Bem, onde quer que você esteja, agora você já sabe.


Vídeos!!! Finalmente!!! :D

Olá pessoal, tudo bem?
Fiz 3 vídeos para o meu canal. Um sobre lightroom e dois sobre Photoshop. Fiz com muito carinho, espero que gostem. Se curtirem e se quiserem, deem um joinha, se inscrevam e divulguem para seus amigos. Podem deixar sugestões, dúvidas e etc.

Fiquei tão feliz quando uma colega de curso disse que tinha visto meus vídeos! Isso me incentiva a produzir mais, mesmo tendo certa timidez para isso.



E aí, me contem, o que acharam? Querem mais?
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